terça-feira, 21 de agosto de 2018

Descobrir-se


De todas as coisas importantes, descobrir-se enquanto pessoa é a mais fundamental. Cada um de nós traz em si uma essência inteiramente particular, que nos faz pessoas únicas no mundo. Ir ao encontro dessa essência é a tarefa mais importante da vida de cada um de nós, pois descobri-la é realizar-se.

As pessoas anseiam muito por realização, e em muitas vezes transferem essa necessidade para campos específicos da vida: relacionamentos, êxito profissional, estabilidade financeira, entre outros. A verdade é que esses são fatores importantes, mas nada disso pode trazer realização pessoal, pois realizar-se enquanto pessoa significa encontrar o mistério que habita em si; é desvendar-se para que, tornando-se aquilo que realmente é, seu próprio ser seja conhecido e realizado.

Não há como sair ileso quando se foge de si mesmo. Isso seria trair sua identidade mais essencial; e as consequências são sempre muito sérias. É preciso aventurar-se nesse campo do autoconhecimento, pois não há outro caminho para tornar quem realmente se é.

Gabriela Neves

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O medo de amar


Muitas pessoas sentem medo de amar, e isso não se resume a relacionamentos amorosos, mas se estende a todas as demais relações. São pessoas feridas em suas histórias de vida, e como uma defesa, se fecham para o outro cada vez mais, afastando todos de si. Como consequência, se sentem sozinhas, incompreendidas, deixadas de lado. O que muitas vezes não conseguem perceber é que são elas mesmas as construtoras dessa situação, e da mesma maneira, somente elas mesmas podem mudar esse quadro.

Trazemos em nós o desejo e a necessidade de sermos amados e de amar. Isso é uma realidade para todas as pessoas; sem a experiência do amor entramos em sofrimento, pois amar é o que há de mais particular na existência humana. Porém, quando amamos mas não somos acolhidos e respeitados, nasce em nós a resistência ao amor como uma forma de proteger-se de outras frustrações e decepções.

O grande problema é que fechar-se não é uma boa solução para o problema, porque só gera solidão e afastamento. É necessário revisitar os momentos de desamor, com coragem para ressiginificá-los e para viver o perdão onde for necessário. Talvez essa não seja uma experiência fácil, mas é recompensadora ao final.

Gabriela Neves

terça-feira, 31 de julho de 2018

O preço da perfeição


Muitas vezes colocamos sobre nossos ombros uma tarefa muito penosa: a de ser perfeito em determinado aspecto da própria vida. Geralmente, isso acontece em áreas da nossa vida que nos identificamos muito, provocando em nós a vontade de nos dedicar cada vez mais a esse lado que nos traz a sensação de estar realizado. De fato, é muito importante que nos dediquemos aos aspectos da nossa vida que têm sentido e significado para nós, mas isso se torna arriscado a partir do momento em que deixamos de lado o ritmo saudável de desenvolvimento de nossas potencialidades para assumir uma postura de cobrança pela perfeição.

O interessante é que na grande maioria das vezes a exigência da perfeição é feita por nós mesmos. É como se não admitíssemos falhar em determinada dimensão de nossa vida, e acabamos por assumir uma postura que muitas vezes causa grande sofrimento e que adoece. Adoece porque a exigência da perfeição é mera ilusão; por mais que empenhemos os maiores esforços, sempre estamos sujeitos a falhas. E negar-se o direito de errar é tornar-se carrasco de si mesmo.

Gabriela Neves

terça-feira, 24 de julho de 2018

O que mede o sucesso de uma pessoa?


Em nossos dias, vive-se uma exaltação e até mesmo uma busca desenfreada pelo famoso “sucesso”. Sem muitas dificuldades, vemos emergir uma vasta gama de itinerários e modelos que garantem tornar a pessoa apta para superar as dificuldades em que se encontra e atingir os seus objetivos, tornando-se assim, uma “pessoa de sucesso”. Esse tipo de pensamento, sem nenhum filtro crítico, facilmente engana aqueles que se deixam levar, e muitas vezes o resultado de tudo é bastante frustrante.

É preciso, antes de tudo, pensar no que se entende pela palavra sucesso. Geralmente, o sucesso é compreendido como aquele contexto de realização nos campos material, afetivo, familiar, profissional, dentre outros. É como se fosse necessário estar plenamente realizado em cada uma dessas áreas para ser uma pessoa bem sucedida, o que na verdade não passa de mera ilusão. Sempre existirão conflitos e desafios durante a vida; em maior ou menor grau, mas sempre existirão. E se alguém espera que tudo na vida esteja a mil maravilhas para se sentir realizado, nunca perceberá o que de bom a vida lhe proporciona e nunca será grato pela sua existência.

É claro que é sempre necessário se superar nas dificuldades que se levantam dia após dia na vida de cada um de nós. Mas é igualmente preciso que tenhamos a maturidade de enxergar que essas dificuldades fazem parte da nossa condição, e que isso não determina se alcançaremos ou não êxito em nossa vida. É essencial descobrir que sucesso não é um lugar onde se chega, mas é descobrir a riqueza que a vida lhe apresenta hoje, mesmo com dificuldades.

Gabriela Neves

terça-feira, 17 de julho de 2018

Você já sofreu alguma frustração?


Certamente, não temos a experiência mais agradável do mundo quando passamos por alguma situação frustrante; é comum nos sentir desanimados, perturbados e até mesmo desvalorizados quando isso acontece. Mas a frustração esconde uma linguagem que muitas vezes nos escapa: ela nos recorda sobre as limitações das nossas vontades e sobre a fragilidade dos nossos planos. E como é difícil se deparar com essa realidade, muitas vezes reagimos à frustração com negações, resistências e defesas.

Muitas pessoas têm grandes dificuldades em viver frustrações porque não foram educadas para isso. Essas pessoas não passaram pelo crivo da dificuldade e da privação em sua história de vida, e sempre tinham na mão o que quisessem. Crescer num ambiente assim não é uma vantagem, muito pelo contrário! O que seus pais ou cuidadores não conseguiam recusar, será negado em outros contextos e situações, porém com o agravante de não terem desenvolvido as habilidades para lidar com a frustração vivida.

É importante para toda pessoa passar por situações de frustração, pois esses momentos educam para as circunstâncias que a vida naturalmente irá nos apresentar. Ser contrariado nos próprios planos, sonhos e vontades certamente dói, mas oportuniza a maturidade e a superação de si mesmo. Assim, frustrar-se não é algo necessariamente negativo; pode ser a ocasião que precisamos para ver além e dar passos mais largos do que podemos imaginar.

Gabriela Neves

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A coragem de enxergar o que não é bom


É muito difícil se deparar com aspectos ruins da própria história e personalidade. Temos em nós o anseio de que tudo ao nosso redor e em nós mesmos seja irretocável e sempre agradável, mas ao mesmo tempo nos damos conta de que esse é um desejo impossível de se tornar realidade, e muitas vezes criamos consciência disso de uma maneira muito dolorosa.

O fato é que todos nós temos defeitos e provocamos situações de sofrimento. Muitas pessoas têm grandes dificuldades de enxergar as próprias fragilidades e incoerências, pois de alguma maneira ver-se imperfeito faz com que se sintam diminuídas ou indignas de receber o amor e a admiração das outras pessoas. Dessa forma, estão sempre a procurar justificativas para seus erros e muitas vezes conseguem esconder dos outros e de si mesmas aquelas características que julgam ser inadequadas.

Existem ainda algumas pessoas que se negam, consciente ou inconscientemente, a ver com clareza os defeitos dos outros, principalmente daquelas figuras pelas quais mantém mais afeto. Essas pessoas não se sentem no direito de apontar as falhas das pessoas com as quais convivem, e acabam por viver rendidas às dificuldades alheias, tendo subtraída a própria capacidade de enfrentamento em diversas situações.

É importante abrir mão desses dois tipos de postura e encarar com liberdade o que há de mal em si mesmo e nas outras pessoas. Manter-se cego para aspectos negativos da própria história é querer fazer nela um recorte que impossibilita o crescimento pessoal. É preciso ter consciência das próprias sombras, somente assim é possível amadurecer e responsabilizar-se pela própria vida.

Gabriela Neves

terça-feira, 3 de julho de 2018

O que eu faço com meus defeitos?


Certamente você já parou para pensar a respeito dessa pergunta. Muito bom seria se nós tivéssemos apenas qualidades e se o convívio com os outros fosse sempre harmonioso e pacífico. Mas essa não é a realidade para ninguém. Somos pessoas que trazem consigo muitas qualidades, mas também muitos defeitos: essa é uma verdade que não é possível mudar ou ignorar. Diante disso, a pergunta mais sensata a ser feita é: o que fazer com os defeitos que identifico em mim, para que seja possível meu amadurecimento como pessoa?.

Muitas vezes temos grandes dificuldades em lidar com os pontos negativos que enxergamos em nós. Nossos defeitos às vezes parecem ter uma dimensão gigantesca aos nossos olhos, como se fossem de fato muito maiores do que eles realmente são. Isso mancha o conceito que temos a respeito de nós mesmos e compromete nossa capacidade de avaliar bem a nossa realidade. .

É preciso ter uma visão realista dos nossos defeitos e enxergá-los como eles realmente são, sem máscaras ou exageros. Nossos defeitos são a oportunidade que temos de ser pessoas melhores, eles são a via que dispomos para o amadurecimento pessoal. Identificar em quais pontos temos sido falhos é o início de uma longa estrada rumo ao crescimento enquanto pessoa; e ter a sabedoria e o bom senso para desafiar-se a superar essas falhas é a chave para de fato conseguir percorrer esse caminh

Gabriela Neves